Bem, lá vamos nós....
Essas aulas de didática tem sido legais. Me tem feito pensar em dias esquecidos, pessoas que passaram por minha vida e também nas que ficaram. É interessante como uma coisinha à toa puxa o gatilho das recordações. Depois das conversas sobre memória na aula e também do filme "Brilho eterno de uma mente sem lembranças", me peguei divagando sobre memórias e lembranças. O mais engraçado é que, na aula, falei que havia me arrependido de ter mudado de rumo no ensino médio, já que fiz o primeiro ano de 'formação de professores' mas troquei por 'técnico em agropecuária' (sim, fui estudar algo que nunca usei ou usarei... a não ser plantar flores num jardim quando eu estiver aposentada e velhinha).
Pois bem, o filme é bem interessante, já que me fez pensar nas escolhas que tomei. O que sou hoje é produto de toda uma vida. As minhas lembranças, boas ou ruins, são o que me formam. E se, por acaso, fosse mesmo possível apagar algo ou alguém de nossa memória, com certeza não seríamos mais os mesmos. Será que somos predestinados ao que somos? O quanto podemos mudar? Se mudarmos algo, não seremos levados a cair na mesma situação de novo e de novo? Quanta força devemos empregar para mudarmos nosso destino? Livre arbítrio ou predestinação???
Pensei em postar o discurso final do filme, mas seria muita sacanagem... hehehe... então coloquei esse pedacinho minúsculo, mas que tem tudo a ver comigo, estudante de Literatura Inglesa. Essa parte e uma citação do poema "Eloisa to Abelard" de Alexander Pope, poeta inglês do século XVIII.
Pensei em transcrever o poema aqui, mas ele é enoooorme (366 linhas, mas para quem quiser ler é só CLICAR AQUI) vou só contar a história deles, que inspirou o filme:
França, século XII. Abelardo (1079-1142) é um padre de 51 anos que foi designado para ser tutor de Eloísa-ou Heloisa-(1101-1164), uma jovem de 18 anos. Eles se apaixonam, mas devido à posição de Abelardo, casam-se secretamente. Eloísa engravida, então seu tio descobre a paixão ilícita (segundo ele), mas não o casamento. Então, após ser destituído de seu cargo, Abelardo é castrado. Após o episódio Abelardo se 'interna' em um mosteiro. Eloísa, após ter o bebê, segue para um convento, onde faz voto de silêncio. Eles, então, trocam algumas cartas.
O poema de Pope, publicado em 1717, seria uma das cartas de Eloísa para Abelardo. Angustiada por seus desejos sexuais por Abelardo, principalmente nos sonhos, e pelo desejo de satisfazê-los, e sendo agora ele é um eunuco (algo que ele considera uma libertação de seu "contágio pela impureza carnal"), nem que quisesse poderia corresponder aos desejos dela ... ela clama não por perdão, mas pelo esquecimento.[1] É nesse contexto que está o citação no filme:
“Feliz é a inocente vestal (virgem); Esquecendo o mundo e sendo por ele esquecida. Brilho eterno de uma mente sem lembranças; Toda prece é ouvida, toda graça se alcança.”
Nunca mais se encontraram em vida, só se reuniram novamente quando seus restos mortais foram levados para o cemitério Pere-Lachaise, em Paris, logo após o sua construção (foto do túmulo ao lado, se clicar nela vai para o site do cemitério).
Bom, qual é a relação de Abelardo e Eloísa com Joel e Clementine? Todos querendo esquecer algo inesquecível... todos vítimas de suas lembranças, de suas memórias, de seus atos e escolhas. Como apagar algo que faz parte de sua alma? Seria melhor não ter vivido e não ter nada a lembrar, mesmo lamentar? Ou melhor seria se arrepender pelo que se viveu do que pelo que deixou de se viver? Então eu lanço a última pergunta: olhar a vida passar para nos resguardarmos de futuros ressentimentos ou tomar parte ativa nela, mesmo que isso possa ocasionar algum remorso?
Para quem não tinha nada a postar, escrevi demais!!