sábado, 29 de setembro de 2007

Olhar Crítico

Depois de assistir o filme em sala de aula, resolvi mudar o que iria postar, pois veio à minha mente um três filmes com duas situações iguais e uma diferente, situações que nos mostram que é muito fácil chegarmos à conclusões precipitadas sobre determinados assuntos, e percebi também que nós temos o dom de criticar, em sua maioria críticas destrutivas.

Sempre ouvi o Márcio dizer que nós temos a mania de dizer: "Naquele tempo era melhor" e não fazemos nada pra mudar o que acontece hoje e poder dizer: "amanhã vai melhorar".

Falando dos filmes e das situações, vejo que existe uma certa ligação entre o que acontece em "Os Incompreendidos" e um filme muito conhecido por nós brasileiros, "O Bicho de Sete Cabeças", filmes estes que nos mostram que as pessoas não se preocupam em saber do contexto e acabam tomando decisões precipitadas sobre determinados assuntos.


Talvez Antonie e o Neto fossem perguntados o que estava acontecendo, teriam uma tragetoria diferente, se tivessem o apoio dos pais, carinho e/ou coisas semlhantes, certamente metade das coisas que aconteceram com eles não teriam acontecido.

Por outro lado, temos o filme "2 Filhos de Francisco", onde os filhos são apoiados pelo pai , para conseguir alcançar um sonho, que era dele, e foi transferido para os filhos. No começo ele impôs esse sonho aos filhos - porque queria vê-los com uma vida melhor que a que ele tinha - mas vemos que depois os filhos foram gostando da idéia e correram atrás dos sonhos, mas não é nisso que quero me prender.

Temos que entender que ainda que todos são iguais, na realidade somos todos diferentes, devemos entender qua cada um tem sua dificuldade, e é por isso que, como educadores, devemos procurar entender cada um educando, ainda que o nosso trabalho não seja recompensado como nós queremos que seja.
"Não há saber de mais, ou saber de menos. Existem saberes diferentes"
Paulo Freire

sábado, 22 de setembro de 2007

"Falar mal é fácil."

"Falar mal é fácil." Concordo. Vejo defeito em tudo. E critico. Inutilmente, é verdade. E me limito a agir individualmente, sem nenhum projeto de mudança de mundo. Não tenho essa boa vontade. Não quero ensinar pro cara que está sentado ao meu lado no ônibus, que me diz gentilmente, com um sorriso no rosto "Bom dia, com licença..." e estica o braço para jogar papel pela janela que ele está sendo, no mínimo, incoerente. Muito menos quero domar (sim, porque parecem animais) as mulheres que quase se matam quando a porta do vagão do metrô se abre, pra pegar um lugar vazio. Sabe como é... o mundo é dos espertos. Quem fica em pé ganha plaquinha de trouxa. Pego a minha feliz da vida. Prefiro. Essas mesmas mulheres ficam indignadas e reclamam quando um homem entra no vagão feminino. Elas querem respeito. É pra rir? Só vejo as expressões faciais, as bocas se mexendo e os gestos, porque já cansei disso tudo e faz tempo que os fones de ouvido me protegem. Egoísta, derrotista, pessimista e alienada, se você quiser.

Estou de saco cheio e não tomo Prozac para ver o mundo colorido. Não vejo poesia na mudança de trânsito na minha rua. Talvez porque saia cedo demais e volte tarde demais pra notar. Ainda que notasse, não creio que veria poesia nisso. Não eu. Simplesmente não vejo nada demais nisso. E, devo dizer, discursos otimistas demais e política e socialmente corretos me enervam. Não vejo poesia na mendiga fétida e com obesidade mórbida que passa os dias sentada no chão imundo comendo, apesar de sequer ter dentes, ali perto do Passeio Público.

Cansei e é só.

Fique à vontade para jogar suas pedras.

No player: Radiohead - Airbag

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

O Poder das Lembranças

Bem, lá vamos nós....


Essas aulas de didática tem sido legais. Me tem feito pensar em dias esquecidos, pessoas que passaram por minha vida e também nas que ficaram. É interessante como uma coisinha à toa puxa o gatilho das recordações. Depois das conversas sobre memória na aula e também do filme "Brilho eterno de uma mente sem lembranças", me peguei divagando sobre memórias e lembranças. O mais engraçado é que, na aula, falei que havia me arrependido de ter mudado de rumo no ensino médio, já que fiz o primeiro ano de 'formação de professores' mas troquei por 'técnico em agropecuária' (sim, fui estudar algo que nunca usei ou usarei... a não ser plantar flores num jardim quando eu estiver aposentada e velhinha).


Pois bem, o filme é bem interessante, já que me fez pensar nas escolhas que tomei. O que sou hoje é produto de toda uma vida. As minhas lembranças, boas ou ruins, são o que me formam. E se, por acaso, fosse mesmo possível apagar algo ou alguém de nossa memória, com certeza não seríamos mais os mesmos. Será que somos predestinados ao que somos? O quanto podemos mudar? Se mudarmos algo, não seremos levados a cair na mesma situação de novo e de novo? Quanta força devemos empregar para mudarmos nosso destino? Livre arbítrio ou predestinação???




Pensei em postar o discurso final do filme, mas seria muita sacanagem... hehehe... então coloquei esse pedacinho minúsculo, mas que tem tudo a ver comigo, estudante de Literatura Inglesa. Essa parte e uma citação do poema "Eloisa to Abelard" de Alexander Pope, poeta inglês do século XVIII.


Pensei em transcrever o poema aqui, mas ele é enoooorme (366 linhas, mas para quem quiser ler é só CLICAR AQUI) vou só contar a história deles, que inspirou o filme:


França, século XII. Abelardo (1079-1142) é um padre de 51 anos que foi designado para ser tutor de Eloísa-ou Heloisa-(1101-1164), uma jovem de 18 anos. Eles se apaixonam, mas devido à posição de Abelardo, casam-se secretamente. Eloísa engravida, então seu tio descobre a paixão ilícita (segundo ele), mas não o casamento. Então, após ser destituído de seu cargo, Abelardo é castrado. Após o episódio Abelardo se 'interna' em um mosteiro. Eloísa, após ter o bebê, segue para um convento, onde faz voto de silêncio. Eles, então, trocam algumas cartas.

O poema de Pope, publicado em 1717, seria uma das cartas de Eloísa para Abelardo. Angustiada por seus desejos sexuais por Abelardo, principalmente nos sonhos, e pelo desejo de satisfazê-los, e sendo agora ele é um eunuco (algo que ele considera uma libertação de seu "contágio pela impureza carnal"), nem que quisesse poderia corresponder aos desejos dela ... ela clama não por perdão, mas pelo esquecimento.[1] É nesse contexto que está o citação no filme:

“Feliz é a inocente vestal (virgem); Esquecendo o mundo e sendo por ele esquecida. Brilho eterno de uma mente sem lembranças; Toda prece é ouvida, toda graça se alcança.”


Nunca mais se encontraram em vida, só se reuniram novamente quando seus restos mortais foram levados para o cemitério Pere-Lachaise, em Paris, logo após o sua construção (foto do túmulo ao lado, se clicar nela vai para o site do cemitério).

Bom, qual é a relação de Abelardo e Eloísa com Joel e Clementine? Todos querendo esquecer algo inesquecível... todos vítimas de suas lembranças, de suas memórias, de seus atos e escolhas. Como apagar algo que faz parte de sua alma? Seria melhor não ter vivido e não ter nada a lembrar, mesmo lamentar? Ou melhor seria se arrepender pelo que se viveu do que pelo que deixou de se viver? Então eu lanço a última pergunta: olhar a vida passar para nos resguardarmos de futuros ressentimentos ou tomar parte ativa nela, mesmo que isso possa ocasionar algum remorso?

Para quem não tinha nada a postar, escrevi demais!!