Pensei em postar o discurso final do filme, mas seria muita sacanagem... hehehe... então coloquei esse pedacinho minúsculo, mas que tem tudo a ver comigo, estudante de Literatura Inglesa. Essa parte e uma citação do poema "Eloisa to Abelard" de Alexander Pope, poeta inglês do século XVIII.
Pensei em transcrever o poema aqui, mas ele é enoooorme (366 linhas, mas para quem quiser ler é só CLICAR AQUI) vou só contar a história deles, que inspirou o filme:
França, século XII. Abelardo (1079-1142) é um padre de 51 anos que foi designado para ser tutor de Eloísa-ou Heloisa-(1101-1164), uma jovem de 18 anos. Eles se apaixonam, mas devido à posição de Abelardo, casam-se secretamente. Eloísa engravida, então seu tio descobre a paixão ilícita (segundo ele), mas não o casamento. Então, após ser destituído de seu cargo, Abelardo é castrado. Após o episódio Abelardo se 'interna' em um mosteiro. Eloísa, após ter o bebê, segue para um convento, onde faz voto de silêncio. Eles, então, trocam algumas cartas.
O poema de Pope, publicado em 1717, seria uma das cartas de Eloísa para Abelardo. Angustiada por seus desejos sexuais por Abelardo, principalmente nos sonhos, e pelo desejo de satisfazê-los, e sendo agora ele é um eunuco (algo que ele considera uma libertação de seu "contágio pela impureza carnal"), nem que quisesse poderia corresponder aos desejos dela ... ela clama não por perdão, mas pelo esquecimento.[1] É nesse contexto que está o citação no filme:
“Feliz é a inocente vestal (virgem); Esquecendo o mundo e sendo por ele esquecida. Brilho eterno de uma mente sem lembranças; Toda prece é ouvida, toda graça se alcança.”
Nunca mais se encontraram em vida, só se reuniram novamente quando seus restos mortais foram levados para o cemitério Pere-Lachaise, em Paris, logo após o sua construção (foto do túmulo ao lado, se clicar nela vai para o site do cemitério).
Bom, qual é a relação de Abelardo e Eloísa com Joel e Clementine? Todos querendo esquecer algo inesquecível... todos vítimas de suas lembranças, de suas memórias, de seus atos e escolhas. Como apagar algo que faz parte de sua alma? Seria melhor não ter vivido e não ter nada a lembrar, mesmo lamentar? Ou melhor seria se arrepender pelo que se viveu do que pelo que deixou de se viver? Então eu lanço a última pergunta: olhar a vida passar para nos resguardarmos de futuros ressentimentos ou tomar parte ativa nela, mesmo que isso possa ocasionar algum remorso?
Para quem não tinha nada a postar, escrevi demais!!
8 comentários:
:-O
posso comentar só pra dizer que amo esse filme do fundo do coração?
<3
"how happy is the blameless vestal's lot! the world forgetting, by the world forgot." minha mensagem pessoal no msn... :~~
quando me recuperar da emoção do momento faço um comentário decente.
Muito bom...muito bom...interessante pensar que na vida temos que "esquecer" os ressentimentos, estive ontem numa fala de um professor, que por acaso vcs devem conhecer, Mário Bruno, ele falou dos encontros, ressentimento, das forças ativas e reativas, espero que os encontros no blog sejam ativos, criativos, enfim acontecimentos...vou linkar vcs no meu...obrigado pelo professor singular...hahahahah
A idéia de apresentar, materiais referente a nossa vida escolar foi relamente uma viagem no tempo. como foi possivel observar e comparar com o material que apresentei do ano de 1973 com outros amigos de sala. Notei a transformação do ensino: vou citar o exemplo. no momento em que meu caderno referente a 4ª serie cirvulou em sala, alguem comentou o seguinte " nossa ele aprendeu geometria, area nesta serie !!!". realmente nao sei se cauosou espanto, talvez surpresa...
...mas importante foi a troca de experiencias que foram produzidas e analises de todo o material. ralmente uma volta ao tempo das traquinagens e travessuras de criança. Algo que pareceu muito saudavel segundo a minha visao.
Agora o momento que eu destacaria, foi em relação a apresentação de uma das nossas amigas de sala ( desculpa mas nao recordei o nome) mas interessante foi a resposta que ela encontrou quando o problema foi apresentado a ela sob a forma de avaliação. e ela logo saiu com aquela resposta que jamais o professor imaginaria que foi a seguinte: " cerveja" algo referente a questão. Achei isto incrivel, pois mostrou uma alternativa como resposta ao professor e saiu dos modelos onde todos encontravam a mesma resposta. Mesmo sabendo que era errada a tal resposta, na minha concepçao ela demonstrou uma outra solução.
Claudio mesquita c de azevedo.
Estou chegando nesta jornada agora então as águas de mnemosine ainda não me tomaram totalmente, mas de certa forma a aula curte a função de pensar a educação e o educador por mais controvertido que seja estaremos no papel de vidraça no futuro e pensar no passado é avaliar o que nos tornamos e como seguiremos. Claro que não me iludo, muitas das coisas que pensaremos fazer em aula ficaram lá na terra do pensamento mas podemos construir algo de valioso na condição de alunos.
Será agradável refletir sobre isso, me incomoda um pouco a idéia de que esta reflexão ficará registrada na internet mas de qualquer forma o presente é assim. Tudo digitalizado e em rede para todos. Tomara que o básico não mude.
Adorei o post e me identifiquei com muitos dos seus comentários, coincidentemente também fiz o primeiro ano do normal e a coisa que mais me lembro é ouvir dos professores para desistir porque não valia a pena. De qualquer forma estou aqui e pretendo terminar este caminho.
Estou respondendo as perguntas de Flávio, os textos estão disponíveis na pasta 162, e acredito que o Conto de Escola, esteja disponível na virtualidade contemporânea...até daqui a pouco
Ainda que esteja comentando "meio" atrasado (rs), deixo aqui registrado que as questões propostas à reflexão coletiva no que diz respeito ao arrependimento (ou por ter feito algo ruim ou por deixar de ter feito algo agradável) muito me fizeram pensar sobre o rumo que tomamos na vida como resultado de nossas próprias escolhas. Dai deixo uma indagação: será que deveríamos pensar antes de fazer algo? Ou será que deveríamos tomar uma atitude rápida antes que passe a oportunidade diante de nossos olhos?
Assim como em aula refletimos a vida pra pensar didático (ou não né..rs), podemos dizer que tanto na vida como em didática cada caso é um caso, mas que independente da atitude a ser tomada, o arrependimento deve ser abolido, pois até os erros contribuem para o aperfeiçoamento.
REALMENTE, AS AULAS DE DIDÁTICA TÊM SIDO UMA VIAGEM NO TEMPO.
A DISCIPLINA TÊM NOS GUIADO.
OS RESULTADOS AINDA NÃO SABEMOS QUAIS SERÃO MAS OS RUMOS TÊM SIDO INUSITADOS E SATISFATÓRIOS.
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